Não chores o pouco que és, alegra-te com o muito que Deus te dá.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Não chores
Lamentações e mais lamentações. Problemas, dificuldades. Incapacidades e tormentos. Vazios e sem sentido. Tantas e tantas coisas que levam a que sintamos a nossa pequenez. Tantas coisas que nos empequenecem. Tantas coisas que nos oprimem e impedem de viver e ver na vida as “coisas outras” de maior dimensão, de maior importância, de maior valor que nos engrandecem. Por um nada, tudo e por um tudo, nada. Ou seja, por tudo e por nada posso ser ou não ser, chegar ou não chegar, viver ou não viver. É uma nesga, aquela passagem, pela qual posso ver e alcançar. Se quiser ver hei-de espreitar. Ser arrojado para espreitar e ver o que está para além de mim. Ser humilde para não julgar que tudo é meu e que tudo posso e que por mim chego aonde chego. Ser humilde para perceber que não é por mim mas por outro que chego aonde chego. Mas também ser consciente para ver que não vale a pena chorar.
Não chores o pouco que és, alegra-te com o muito que Deus te dá.
Não chores o pouco que és, alegra-te com o muito que Deus te dá.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
O mealheiro

Acumular tesouros. Tesouros maravilhosos, deslumbrantes, que brilham aos nossos olhos como desejos inalcançáveis. Os grandes tesouros da terra construíram-se peça a peça. Pequenas peças trouxeram outras pequenas peças e outras e mais outros e umas maiorzinhas e alguma que outra grandinha e pouco a pouco construiu-se um tesouro. Muitas vezes pequenas peças pouco valiosas no momento. Pequenas peças insignificantes até, mas que amontoadas com muitas outras pequenas e insignificantes peças, constroem um tesouro de valor incalculável.
Encontro assim a minha vida. Cheia de pequenos nadas, pouco valiosos insignificantes até, desprezados por muitos e tidos por pouco por outros mas que têm construído a minha vida.
Assim entendo a fé que me domina. Igual a tantas, igual à de todas para uns e tida como desnecessária e pouco atraente por muitos, mas um tesouro para mim. Um tesouro feito de pequenas orações, orações mal feitas, orações distraídas, orações com gosto e orações sem vontade. Encontros, leituras, partilhas, celebrações. Muitos momentos, pouco valiosos muitos deles, mas que amontoados na minha vida se tornaram um tesouro. Às vezes parece não servir para nada este tesouro que fui acumulando. Há até quem me diga: "e isso para quê?". Talvez pareça que é para nada, inútil, supérfluo que não interessa a ninguém. Tenho para mim que um dia vou precisar dele e me vai servir de grande utilidade. Já o experimentei em outros momentos, mas não cheguei a precisar de todo o tesouro. Um dia, sei que, vou precisar de todo este tesouro acumulado e me vai servir de grande utilidade.
É como o mealheiro que recolhe moedas de um cêntimo. Um cêntimo pouco vale, não serve para nada. Com um cêntimo não se compra nada, um cêntimo é fácil de perder. Mas, no mealheiro, recolhidos um a um os cêntimos acumulam-se e tornam-se um tesouro que um dia vai fazer falta para alguma coisa. Seja assim a minha vida, seja assim a minha fé, seja assim a minha oração, seja assim a minha dádiva, sejam assim as minhas boas obras.
Acumulai tesouros no céu... acumulai tesouros no céu...
Encontro assim a minha vida. Cheia de pequenos nadas, pouco valiosos insignificantes até, desprezados por muitos e tidos por pouco por outros mas que têm construído a minha vida.
Assim entendo a fé que me domina. Igual a tantas, igual à de todas para uns e tida como desnecessária e pouco atraente por muitos, mas um tesouro para mim. Um tesouro feito de pequenas orações, orações mal feitas, orações distraídas, orações com gosto e orações sem vontade. Encontros, leituras, partilhas, celebrações. Muitos momentos, pouco valiosos muitos deles, mas que amontoados na minha vida se tornaram um tesouro. Às vezes parece não servir para nada este tesouro que fui acumulando. Há até quem me diga: "e isso para quê?". Talvez pareça que é para nada, inútil, supérfluo que não interessa a ninguém. Tenho para mim que um dia vou precisar dele e me vai servir de grande utilidade. Já o experimentei em outros momentos, mas não cheguei a precisar de todo o tesouro. Um dia, sei que, vou precisar de todo este tesouro acumulado e me vai servir de grande utilidade.
É como o mealheiro que recolhe moedas de um cêntimo. Um cêntimo pouco vale, não serve para nada. Com um cêntimo não se compra nada, um cêntimo é fácil de perder. Mas, no mealheiro, recolhidos um a um os cêntimos acumulam-se e tornam-se um tesouro que um dia vai fazer falta para alguma coisa. Seja assim a minha vida, seja assim a minha fé, seja assim a minha oração, seja assim a minha dádiva, sejam assim as minhas boas obras.
Acumulai tesouros no céu... acumulai tesouros no céu...
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Distancia

Distancia não é separação para aqueles que amam, diz Simon Weil. E diz também que a verdadeira diferença entre os homens é que uns caminham sobre as águas enquanto outros se tornam telhas soltas ao vento caindo ao acaso. A distancia entre Deus e o homem não é separação quando se amam. Mas quando o homem se afasta de Deus torna-se uma telha que não tem onde cair, simplesmente cai ao acaso. Nada pior para o homem do que, em vez de ser se torna acaso, em vez de viver se torna queda, em vez de amor se torna telha. Nada pior do que nada, acaso e queda livre sem destino. Não é a distancia que faz a diferença mas a falta do amor. A distancia para os que amam, diz ainda Simon Weil, não é um mal, embora seja dolorosa, mas é um bem, porque é amor. A própria angústia, quando é amor, é um bem. Profundo... nem todos entendem... claro!
Como anjos

Simples como as pombas, sem fantasias, sem palavras caras, sem preconceitos, sem ganâncias nem subterfúgios. Limpos. Totalmente limpos bela beleza de quem se reconhece na sua verdade. Transparentes como água cristalina que generosa corre para matar a sede a quantos se abeiram da sua naturalidade. Humildes como a giesta viçosa olhando a grandeza do eucalipto erguido até aos altos céus mas não superior em beleza e sedução. Cativantes como melodia em tarde calma que apetece. Balsamo refrescante no calor da vida que atormenta.
É bom conhecer pessoas assim. Daquelas pessoas que ensinam sem falar, que dão sem abrir as mãos, que amam sem ruído, que acolhem sem abrir os braços, que salvam sem tocar cirenes, que libertam sem quebrar grilhões, que escutam sem perder a paz.
É bom encontrar gente simples que faz a diferença tornando o mundo mais bonito e mais humano. É bom encontrar gente como anjos que nos transportam ao céu.
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Alegria da Alma

Lançados aos pés da cruz, mas não caídos na infelicidade. Atormentados no corpo mas felizes na alma. Mal tratados na vida mas alegres no espírito. Derrotados nos caminhos mas vencedores ao chegar a meta. Dilacerados no coração mas reconstruídos no amor.
Viver para além do aqui e agora é encontrar uma nova dimensão que não aliena, mas que eleva. Não fugimos do mundo, estamos no mundo, bem no fundo da lama do mundo, na mesma realidade dos mais desprezíveis por não termos qualquer direito. Somos estrangeiros, mas construímos a cidade terrena. Somos do céu mas elevamos os palácios dos reis. Somos filhos mas trabalhamos como escravos. Somos de Deus mas edificamos para os homens. Estamos dobrados sobre nós mesmos olhando o chão, mas temos a alma elevada por sobre todas as coisas deste mundo. Temos tudo e falta-nos tudo. Não temos nada e tudo nos sobra. Procuramos sem ver e vivemos como quem encontrou. Pedimos como pobres e vivemos como se já tivessemos alcançado. Batemos como quem quer entrar e vivemos como quem está em casa.
De tudo o que podemos possuir nada desejamos, para não perder o que em nós é maior desejo, e que não podemos alcançar, mas nos será dado gratuitamente.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Um outro olhar

Construir um novo olhar é um verdadeiro desafio para quem deseja sempre coisas novas. As pessoas inquietas, insatisfeitas, sonhadoras, precisam de ter sempre um desafio novo. No fundo todos devíamos cultivar positivamente estas características. Não se trata de ser irrequieto, nem de nunca gostar de nada, nem de sonhar castelos no ar. Trata-se de uma atitude criativa capaz de dizer "posso ir mais linge", "posso fazer o mesmo de outra maneira, "é possível ser outro e ser feliz". É esta criatividade face a vida, a mim, aos outros, ao presente e ao futuro. Trata-se que querer e sonhar mais alto vendo as coisas de outra maneira. Daquela maneira que assusta a todos mas que nos coloca no limite das nossas capacidades e abre caminhos novos para todos. Construir um novo olhar sobre a vida, as relações, as possibilidades, os trabalhos, os sofrimentos, as desgraças. Ver com um novo olhar, como nunca ninguém viu mas que revela as coisas novas de que necessitamos e de que o mundo necessita. Ver tranquilamente como quem acolhe a realidade sempre velha mas sempre nova porque vista de outra forma, com um novo olhar. As mesmas pessoas, os mesmos lugares, as mesmas realidades, os mesmos acontecimentos, as mesmas relações vistas de outra perspectiva fazem novas todas as coisas. Criatividade no olhar para descobrir as novidades das coisas que julgamos conhecer mas que escondem mistérios continuados, para revelar. Viver com um novo olhar. O cego do evangelho recebeu um novo olhar e seguiu Jesus pelo caminho dando glória a Deus. Um novo olhar.
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Aos pés da cruz

Profundamente convencido.
Dizia ela com o seu ar convencido pela própria experiência: "Alguns homens são atirados para os pés da cruz. Depende deles conservarem, ou não, os olhos orientados para Deus, ao longo dos embates".
Fiquei também convencido. Realmente há homens que são esmagados até aos pés da cruz, que é o mesmo que dizer, como ela diz, para o mais longe que se pode estar de Deus, por se ser miserável. Não que Deus não olhe para quem está aos pés da cruz, não! Pelo contrário. Ele olha para o que está na cruz e n'Ele vê todos os que estão aos pés da cruz. E são muitos os que aí se abatem. Precisamente porque o amor é grande, o de Deus pelo homem esmagado, é que, por maior que seja a distância entre eles, nunca deixam de se amar. Aquele que ama o que teme não é a distância que o separa do outro, mas a possibilidade de diminuir o amor por causa da distância. O maior mal que pode acontecer ao homem não é estar longe de Deus, mas não amar aquele que está, longe ou perto, mas está. Encontrar-se no amor, é tudo quanto pode desejar aquele que é atirado para os pés da cruz.
Dizia ela com o seu ar convencido pela própria experiência: "Alguns homens são atirados para os pés da cruz. Depende deles conservarem, ou não, os olhos orientados para Deus, ao longo dos embates".
Fiquei também convencido. Realmente há homens que são esmagados até aos pés da cruz, que é o mesmo que dizer, como ela diz, para o mais longe que se pode estar de Deus, por se ser miserável. Não que Deus não olhe para quem está aos pés da cruz, não! Pelo contrário. Ele olha para o que está na cruz e n'Ele vê todos os que estão aos pés da cruz. E são muitos os que aí se abatem. Precisamente porque o amor é grande, o de Deus pelo homem esmagado, é que, por maior que seja a distância entre eles, nunca deixam de se amar. Aquele que ama o que teme não é a distância que o separa do outro, mas a possibilidade de diminuir o amor por causa da distância. O maior mal que pode acontecer ao homem não é estar longe de Deus, mas não amar aquele que está, longe ou perto, mas está. Encontrar-se no amor, é tudo quanto pode desejar aquele que é atirado para os pés da cruz.
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