Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Aconchegado na sombra

Aconchegado nas zonas de sombra, espero que a luz chegue até mim como uma dádiva de inspiração poética. Na escuridão do que não existe, afago as mãos uma na outra na esperança de que o calor transforme o coração. Perdido nas estrelas escondidas do meu ser, peço ao infinito que se aproxime com o bafo de um novo dia para me refazer do susto da escuridão. Aninhado sobre mim mesmo, desperto do sono que me impede conhecer a realidade que transporto na alma. E vivo intensamente o momento que traz o nome de presente como quem vive aonde nunca esteve e goza a alegria que nunca experimentou. Em passos de gigante peregrino do além, em terras de pobreza e de desgraça, corro como quem foge dos males do aqui, que não permitem o brilho da certeza que se esconde. E voando na aurora de um dia que termina recolho em mim todos os desejos que fazem do futuro um presente continuado em sonhos de verdade que se espera e se teme a cada hora. E se tudo não passasse de uma tarde que termina e se vai na brisa fria de uma noite que acontece? E se tudo não ficasse num momento de incerteza que repete? E se tudo fosse só miragem de um tempo que não veio? E se eu pudesse ver o que guardo dentro de mim como desejo? Aconchegado em mim, nas mais profundas sombras de um novo dia que amanhece em cinza nublada pelo frio do Inverno, espero que a verdade me revele imensamente mais do que posso já contemplar.

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